Segunda-feira, 14 Setembro , 2026
Sebrae
Início BrasilViolência sexual contra meninas registra média de 64 vítimas por dia no Brasil

Violência sexual contra meninas registra média de 64 vítimas por dia no Brasil

por Duda Amaral
A+A-
Reset
Violência sexual contra meninas registra média de 64 vítimas por dia no Brasil

O Brasil registrou, entre 2011 e 2024, uma média de 64 meninas vítimas de violência sexual por dia. No período, foram contabilizados 308 mil casos envolvendo crianças e adolescentes de até 17 anos, segundo dados divulgados pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero.

Somente em 2024, foram notificadas 45.435 ocorrências, o equivalente a cerca de 3,7 mil casos por mês. O levantamento utiliza informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, e foi divulgado nesta segunda-feira (18), data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O estudo é resultado de uma parceria entre o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, o Instituto Natura e a Associação Gênero e Número.

Casos aumentaram nos últimos anos

A série histórica aponta crescimento de 29,35% nos registros de violência sexual contra meninas desde 2011. A única redução ocorreu em 2020, durante a pandemia de covid-19, quando houve queda de 13,76% nas notificações, cenário atribuído à subnotificação dos casos.

Nos anos seguintes, os registros voltaram a crescer. Em 2021, o aumento foi de 22,75%, enquanto 2023 apresentou o maior salto da série histórica, com crescimento de 37,22%. Em 2024, a tendência de alta continuou.

Segundo a diretora executiva da Associação Gênero e Número, Vitória Régia da Silva, os dados ainda não representam totalmente a realidade brasileira devido à subnotificação.

“Isso limita não apenas a compreensão da violência, mas também a capacidade de formular respostas públicas mais eficazes”, afirmou.

Meninas negras são maioria entre as vítimas

O levantamento mostra que meninas negras seguem como as principais vítimas de violência sexual no país. Entre 2011 e 2024, elas representaram 56,5% dos casos registrados.

Em 2024, mais da metade das notificações envolveu meninas pardas e pretas. Foram 22.553 casos com vítimas pardas e 1.223 com vítimas pretas, totalizando 23.776 ocorrências.

Também foram registrados 16.771 casos envolvendo meninas brancas, 769 com vítimas amarelas e 342 com indígenas. Outros 3.777 registros não informaram raça ou cor.

Violência ocorre, muitas vezes, dentro de casa

O estudo aponta que pais, mães, padrastos, madrastas e irmãos aparecem frequentemente entre os autores da violência sexual. Em média, os casos envolvendo familiares representam cerca de 31% das notificações registradas entre 2011 e 2024.

Para a antropóloga Beatriz Accioly, líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência contra Mulheres do Instituto Natura, os dados mostram que a violência nem sempre ocorre fora do ambiente familiar.

“Os dados mostram que a casa também pode ser lugar de risco e que a proteção depende de adultos, instituições e serviços capazes de perceber o que muitas vezes não aparece como pedido explícito de ajuda”, afirmou.

Ela também destacou a importância da atuação das áreas da saúde e educação na identificação dos casos.

“Uma criança não vai sozinha à delegacia. Isso significa que a nossa linha de frente e porta de entrada para a denúncia não é a Segurança Pública, mas sim a educação e a saúde”, disse.

Disque 100 registra aumento nas denúncias

De janeiro a abril de 2026, o Disque 100 registrou mais de 32,7 mil denúncias de violações sexuais contra crianças e adolescentes, aumento de 49,48% em relação ao mesmo período de 2025.

O serviço funciona gratuitamente, 24 horas por dia, inclusive de forma anônima, e encaminha os casos para órgãos como Conselhos Tutelares, Ministério Público, delegacias especializadas e serviços de assistência social.

As denúncias podem ser feitas pelo telefone 100 em qualquer região do país.

Com informações de Agência Brasil

Você também pode gostar