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Trump diz que eleição no Brasil será teste para estratégia dos EUA na América Latina

por Conecta SC
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Em meio à reunião de cúpula do Brics, que ocorre no Rio de Janeiro, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou taxas extras a produtos de países que se alinhem ao grupo, formado por 11 nações, entre elas, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A publicação foi feita em seu perfil na rede Truth Social. "Qualquer país que se alinhe às políticas antiamericanas do Brics será taxado com tarifa extra de 10%. Não haverá exceções a essa política. Obrigado pela atenção em relação a essa questão", escreveu Trump. No domingo (6), a declaração de líderes do Brics criticou medidas protecionistas adotadas no comércio global.  "Reiteramos nosso apoio a um sistema multilateral de comércio baseado em regras, aberto, transparente, justo, inclusivo, equitativo, não discriminatório e consensual, com a OMC em seu núcleo, com tratamento especial e diferenciado (TED) para seus membros em desenvolvimento", destacou a declaração. Trump, que assumiu em janeiro deste ano, anunciou, logo no início de seu mandato, aumento de tarifas sobre produtos importados, o que gerou críticas e respostas de vários países. Além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, compõem o Brics a Arábia Saudita, o Irã, os Emirados Árabes, a Indonésia, o Egito e a Etiópia. Mais dez países são parceiros do grupo: Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.

 

A eleição no Brasil passou a ser tratada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um dos principais desafios para a estratégia norte-americana na América Latina. A avaliação foi reforçada após o republicano compartilhar um artigo que aponta o pleito brasileiro como decisivo para o avanço de governos alinhados à direita na região.

A publicação foi divulgada nas redes sociais de Trump e reproduz um texto assinado pelo colunista John Gizzi, correspondente da Casa Branca para o veículo conservador Newsmax.

ELEIÇÃO NO BRASIL É APONTADA COMO PRÓXIMO DESAFIO DE TRUMP

Segundo o artigo compartilhado pelo presidente norte-americano, o Brasil representa o “próximo grande teste” para os interesses estratégicos dos Estados Unidos no continente.

O texto afirma que as atenções estão voltadas para o maior país da América Latina devido ao peso político e econômico brasileiro. Na avaliação do autor, o resultado da próxima disputa presidencial poderá influenciar significativamente o cenário político regional.

A publicação sustenta que, caso o Brasil passe a integrar o grupo de países governados por forças políticas de direita, o mapa político latino-americano sofrerá uma mudança expressiva em relação ao cenário observado na última década.

ARTIGO APONTA AVANÇO DE GOVERNOS ALINHADOS À DIREITA

No texto compartilhado por Trump, John Gizzi afirma que o presidente norte-americano acumula sucessivas “vitórias” na América Latina por meio da eleição de candidatos alinhados ideologicamente ao conservadorismo.

Entre os exemplos citados estão os pleitos realizados em El Salvador, Argentina, Equador e, mais recentemente, a eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia.

Também são mencionadas futuras disputas eleitorais previstas para Peru, Honduras, Bolívia e Chile como etapas importantes desse processo de reorganização política regional.

Para o colunista, “A tendência pró-Trump começou em 2019 com a eleição de Nayib Bukele em El Salvador e tem se intensificado de forma constante desde então”.

BRASIL É CITADO COMO DISPUTA MAIS IMPORTANTE DO HEMISFÉRIO

O artigo afirma que o governo norte-americano ainda enfrenta quatro grandes desafios políticos na América Latina: Venezuela, Cuba, Nicarágua e Brasil.

Sobre o cenário brasileiro, a publicação destaca:

“As atenções agora se voltam para o Brasil, a maior nação da América Latina e a potência política da região. A próxima eleição presidencial poderá se tornar a disputa mais importante do hemisfério.”

O texto também menciona que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro estariam buscando unir forças em torno do senador Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

ESTRATÉGIA DOS EUA RETOMA DOUTRINA MONROE

A visão apresentada pelo artigo está alinhada à Estratégia de Segurança Nacional divulgada pelo governo dos Estados Unidos em dezembro de 2025.

O documento estabelece a aplicação de um chamado “Corolário Trump” à tradicional Doutrina Monroe, formulada em 1823, que defendia a predominância da influência norte-americana no continente.

Segundo a estratégia oficial, Washington pretende ampliar sua presença em áreas consideradas estratégicas na América Latina e reduzir a atuação de empresas estrangeiras responsáveis por projetos de infraestrutura na região.

O texto da Casa Branca afirma:

“Após anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no Hemisfério Ocidental e proteger nossa pátria e nosso acesso a regiões-chave em toda a região.”

A estratégia integra a política externa adotada durante o segundo mandato de Donald Trump e reforça a intenção do governo norte-americano de ampliar sua influência política, econômica e estratégica sobre os países latino-americanos.

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