Segunda-feira, 14 Setembro , 2026
Sebrae
Início NotíciasMundo dos negóciosSanta Catarina pode virar um dos cinco maiores polos de inovação do planeta em 40 anos

Santa Catarina pode virar um dos cinco maiores polos de inovação do planeta em 40 anos

por Francine Canto Boico
A+A-
Reset
Novos diretores nos polos regionais da ACATE impulsionam a integração da tecnologia em SC

Santa Catarina mira Top 5 global e pode movimentar R$ 14 trilhões com tecnologia até 2066

Santa Catarina projeta um salto ambicioso: tornar-se um dos cinco maiores polos de inovação do planeta nas próximas quatro décadas. A meta, apresentada no estudo Efeito ACATE 2066 – Do improvável ao inevitável, não apenas reforça o protagonismo crescente do setor tecnológico, como também detalha um cenário de transformação econômica profunda, com impacto direto sobre empregos, renda e competitividade global.

O levantamento mostra que o estado parte de uma base já consolidada. Hoje, o setor tecnológico catarinense fatura R$ 42,5 bilhões por ano, emprega mais de 100 mil pessoas e responde por 7,75% do PIB estadual — números que sustentam a viabilidade de crescimento projetado.

SANTA CATARINA ENTRE OS MAIORES POLOS DE INOVAÇÃO DO PLANETA

A ambição de posicionar Santa Catarina como um dos cinco maiores polos de inovação do planeta não surge apenas como projeção estatística, mas como um compromisso coletivo do ecossistema.

O estudo aponta que, se mantido o ritmo de evolução e cooperação entre os diferentes atores — setor público, empresas, universidades e investidores —, o impacto acumulado pode alcançar R$ 14 trilhões até 2066. Esse volume representa uma mudança estrutural na economia estadual, elevando a tecnologia ao status de principal motor de desenvolvimento.

“Quando olhamos para trás, vemos que o que parecia improvável se tornou realidade porque fomos capazes de construir juntos. O Efeito ACATE nasce desse mesmo espírito. Não é uma promessa de uma entidade, é um compromisso de um ecossistema inteiro. Santa Catarina tem as condições, a história e a cultura para ser uma referência mundial em inovação”, afirma Diego Brites Ramos, presidente da ACATE.

CRESCIMENTO PROJETADO MULTIPLICA RECEITA E PARTICIPAÇÃO NO PIB

As projeções indicam uma expansão consistente ao longo das próximas décadas. O faturamento do setor deve saltar de R$ 49,5 bilhões em 2026 para R$ 238,9 bilhões em 2066 — crescimento de quase cinco vezes.

A participação da tecnologia no PIB estadual também tende a mais que dobrar, passando de 7,75% para 17,9%. Na prática, isso significa uma reconfiguração da matriz econômica, com maior dependência de atividades intensivas em conhecimento.

Outro indicador relevante é o efeito multiplicador. O estudo aponta que cada R$ 1 gerado pela tecnologia pode impulsionar R$ 2,40 na economia total, ampliando os impactos para além do setor.

IMPACTO DIRETO NA RENDA E NA ARRECADAÇÃO

O avanço tecnológico projetado não se limita ao crescimento empresarial. Os dados indicam efeitos amplos na sociedade catarinense:

  • R$ 1,1 trilhão em arrecadação fiscal direta ao longo do período
  • R$ 11,1 trilhões em renda acumulada para famílias
  • Sustentação de até 1,4 milhão de empregos na cadeia produtiva

O número de empregos diretos no setor deve triplicar, passando de cerca de 100 mil para 304 mil até 2066.

Esse movimento tende a elevar a renda média, aumentar o consumo e fortalecer setores complementares, como serviços, comércio e indústria.

ESCASSEZ DE TALENTOS PODE LIMITAR AVANÇO

Apesar do cenário otimista, o estudo aponta um risco central: a falta de profissionais qualificados.

A expansão acelerada da tecnologia exige formação contínua, atração de mão de obra especializada e retenção de talentos — fatores considerados críticos para sustentar o crescimento.

“O crescimento do setor de tecnologia em Santa Catarina só será sustentável se conseguirmos formar, atrair e reter talentos na mesma velocidade em que as empresas crescem. Não existe transformação digital sem pessoas preparadas para conduzi-la”, afirma Moacir Marafon, vice-presidente de talentos da ACATE.

A pressão por qualificação deve impactar diretamente políticas educacionais, programas de capacitação e estratégias de atração de profissionais de outras regiões e países.

META INCLUI 163 UNICÓRNIOS E EMPRESAS GLOBAIS

Outro dado que chama atenção é a projeção de 163 unicórnios — startups avaliadas acima de US$ 1 bilhão.

Mais do que um número absoluto, a meta funciona como direcionamento estratégico: estimular empresas a nascerem com foco global, desde as fases iniciais.

Isso implica maior acesso a capital, internacionalização acelerada e fortalecimento de hubs de inovação em cidades catarinenses.

OITO ONDAS TECNOLÓGICAS GUIAM O FUTURO

O planejamento do ecossistema foi estruturado em oito ciclos de cinco anos, cada um baseado em tendências globais emergentes.

A primeira fase (2026–2031) foca na expansão da inteligência artificial generativa, criando a base de dados, talentos e capital. Em seguida, o estado mira liderança em computação quântica na América Latina.

Na sequência, surgem movimentos como a convergência bio-digital, integração entre tecnologia e agroindústria, e avanços em neurotecnologia, que podem redefinir a relação entre humanos e máquinas.

O plano também inclui a entrada na economia espacial, com uso de microssatélites, além da transição para modelos de economia circular.

As etapas finais abordam temas de fronteira, como longevidade humana — com projeção de aumento de 15 anos na vida saudável — e inteligência planetária, baseada em redes globais de dados e sensores.

É nesse último ciclo, entre 2061 e 2066, que Santa Catarina projeta consolidar sua posição entre os cinco maiores polos de inovação do planeta.

METODOLOGIA COMBINA DADOS HISTÓRICOS E ESTUDOS DE FUTURO

O estudo foi construído a partir da análise da evolução do ecossistema desde 1986, combinada com modelos estatísticos e metodologias internacionais de foresight.

Entre as abordagens utilizadas estão backcasting, análise de cenários e modelos integrados de futuro, adaptados ao horizonte de longo prazo.

Apesar da robustez metodológica, o relatório ressalta que os números não devem ser interpretados como previsões exatas. Fatores como políticas públicas, ambiente macroeconômico e capacidade de execução podem influenciar diretamente os resultados.

Ainda assim, o material se posiciona como um guia estratégico para orientar decisões e alinhar os diferentes atores do ecossistema tecnológico catarinense em direção a um objetivo comum: transformar o estado em referência global em inovação.

Você também pode gostar